Expressão Artística

“Art is the only serious thing in the world. And the artist is the only person who is never serious.”

(O. WILDE)

Apesar da minha formação enquanto pianista me ter treinado para isso, nunca fez parte das minhas ambições ser solista. Sempre preferi um palco diferente, mais vasto e mais povoado.

Privilegiando a Música enquanto expressão artística, como sentido de comunicação e partilha de uma narrativa com o público, surgem diferentes projectos em que esta se cruza e se mescla com outras Artes Performativas (como seja o Teatro e a Dança).

Tenho sido afortunada o bastante por encontrar palco para as ideias que moram dentro da minha cabeça. Muitas mais são as que clamam por se libertar das grilhetas do pensamento. 

Plataforma do Pandemónio

A Plataforma do Pandemónio veio ao mundo a 17 de abril, em plena crise pandémica. Nasce de um conjunto de vontades por parte de jovens artistas: vontade de se fazer ouvir, de conquistar palco precisamente nos dias em que ele nos está proibido. Marta Moreira assume a curadoria deste projecto, que se encontra neste momento em expansão, introduzindo novos artistas com novos trabalhos todos os dias. São já muitas as vozes que se agregam neste colectivo, acreditando que só dispondo-nos a ser mutuamente inspirados é que poderemos também inspirar. Mas porque umas vozes por cima das outras podem tornar-se num pandemónio, aqui elas erguem-se a uma só: aqui promove-se a colaboração em vez da competição.

Nesta Plataforma criam-se obras originais, partindo precisamente das premissas que decorrem da pandemia que vivemos. Mas quer-se muito mais: começam a somar-se os trabalhos desenvolvidos através da Plataforma que conquistam palco noutras iniciativas (como a RTP Palco ou a Música Portuguesa a Gravar-se a Ela Própria, por exemplo), e planeiam-se projectos de implementação mais efectiva no território, nomeadamente através da criação de um festival de artes, catarse colectiva de todo este projecto.

BJazz Choir

Arquivo

meninas estranhas falam dialectos estrangeiros”

Variações – Cultura Emergente (Julho 2019)

Sinopse

As coisas são sempre as mesmas, independentemente do nome que lhes damos; as emoções e os sentimentos também. Gostamos de as vestir com palavras, denominações que não são mais que roupagens, e essas vão variando consoante a língua que usamos. Mas e se a nossa linguagem não se circunscrevesse a uma língua, e antes se fundisse também com Música, com Teatro e com Movimento? 

Em meninas estranhas falam dialectos estrangeiros somos confrontados com o sentimento de desajuste que decorre da transição para a vida adulta, num mundo cada vez mais polarizado. Mas este confronto, embora nascido da palavra, acontece numa linguagem muito mais ampla, em que o grotesco pode ser belo e o aprazível esconde não raras vezes um inconformismo que lateja. Aqui a Música, assim como a palavra, surge como consequência da emoção, em primeiro lugar, e depois do gesto, numa simbiose que  lhes esbate os contornos, e que dilui as fronteiras daquilo que nos habituamos a compartimentar e engavetar. Uma estranheza que se vai enquistando em nós, que ressoa, que fala. 

“Humanário” (Rui Horta)

GUIDANCE – Festival Internacional de Dança Contemporânea (Fevereiro 2018)

“No Humanário procurei um encontro com pessoas, com a comunidade – o outro, aquele que me diz algo e que eu quero descobrir. Fiz uma audição com um único mote: encontrar pessoas que soubessem ou quisessem cantar e não tivessem receio de estar em cena. Por isso o meu cúmplice neste projeto foi um jovem maestro, o Tiago Simães. Encontrei um grupo totalmente inesperado, muito jovem e integrando desde amadores a profissionais”

RUI HORTA AO DN