“poemas que contagiam”

“poemas que contagiam” foi o segundo ciclo de poesia que desenvolvi na Plataforma do Pandemónio. Foi uma voz que encontrei em plena pandemia, quando a apreensão tingia as paredes de minha casa, cada vez mais estreitas em meu redor durante dois meses.

As palavras têm várias camadas. Embora a mais imediata seja a do seu significado (que será naturalmente subjectivo), também contêm uma dimensão visual (o seu grafismo) e uma outra dimensão sonora (o som que produzem).

Algures pelo meio da neurose que em mim se veio avolumando durante o confinamento, descobri que a Arte tem também esta função de nos unir nos tempos em que clamam alto as vozes que nos separam. E que isso pode fazer-se através do cruzamento disciplinar de diferentes manifestações artísticas.

Assim, estes poemas foram conquistando novas dimensões à medida que a eles se juntaram as vozes de mais artistas. Do grafismo das palavras, saltamos para uma dimensão visual em que o Vídeo assume clara preponderância. E do seu som, aventuramo-nos numa deliciosa sinergia com a compositora Solange Azevedo, com a difícil missão de transportar o significado destes poemas para o universo da música electrónica.

O resultado é este.

O primeiro poema do ciclo foi publicado na matapacos – revista de experimentalismos (Brasil). Consulta aqui a sua 3ª edição.